à uma da manhã, eu te espero:
"Você nunca compreendeu que eu dei tudo o que não tive por um amor que, na verdade, nunca existirá. O mundo cada vez mais apressado, o metrô ainda mais cheio, o pessoal da faculdade preocupado com a festa em que a menina pegou quatro e ainda desejou outros dez e eu só desejando que, no final do meu dia infernal, tudo, absolutamente tudo acabe bem. É difícil fazer a rotina quando você não está, quando tudo me lembra a ausência que nós fomos, quando tudo me diz que não tivemos nada além da aparência de ser feliz. Como eu gostaria de ser livre e poder dizer o quanto odeio a minha vida e como eu a odeio ainda mais por não conter você, por não abraçar seu corpo, por não delimitar o teu sentimento com o meu. É horrível a sensação de solidão quando muitos te abraçam e pouquíssimos te tocam e você chora, baixinho, como quem não aguenta mais. Foi por isso que hoje eu não quis ficar lá, com eles, eu fugi e voltei pra casa com a desculpa da dor. De certo modo foi dor sim, foi dor e mágoa, e foi também um acúmulo de ansiedades e não-realizações de que é feito os meus dias vazios e sós. O computador, meus livros, minhas músicas preferidas, os textos que leio/escrevo, a vontade de te mandar uma mensagem em off, o desejo de que, por algum milagre, você volte e seja você, como foi no começo, quando eu acreditei que você era diferente de tantos outros que conheci. Eu sempre oro, quase como sussurrando pra que deus me perdoe por ser tão fraco e tão auto-suicida, por gostar tanto de você a ponto de quase acabar com tudo, como naquela noite de ano novo que de novo só havia os números. Eu acho que a minha vida está um grande oco que nem eu mesmo sei dimensionar e eu só sei que, quando chega esse horário, essa madrugada doída e fria, eu sei que você existe pra mim como nunca antes e é a dor mais forte que eu posso sentir. Eu sei que é agora que vou chorar por lembrar do que você era, e no que você se tornou. (mas eu te amo, mesmo assim, eu te amo)"
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